Realismo

  O realismo é uma tendência estética surgida na Europa, mais especificamente em França, durante a segunda metade do século XIX, por volta de 1850. O contexto histórico em que ocorre é o do sucessivo crescimento industrial e científico das sociedades. Naquele momento, passou-se a acreditar que, com a natureza "dominada", era preciso haver maior objetividade e realismo também nas expressões artísticas, rejeitando todo tipo de visão subjetiva e ilusória. Estes opõem-se ao romantismo. Nesse período, devido às mudanças sociais ocorridas, os artistas passaram a ver o mundo de maneira completamente diferente, dando lugar a uma visão bem mais crítica da realidade que os cercava. Os realistas retratavam em uma escala e com uma sinceridade e seriedade anteriormente reservadas à grande pintura histórica. Sentiam a necessidade de retratar a vida como ela era, revelar os problemas e os costumes das classes média e baixa e trazer a reflexão. Alertavam a sociedade para as injustiças, ambicionando reformá-la e melhorá-la.

  Para captarem a realidade, os pintores executavam breves esboços que depois trabalhavam nos ateliers. Foram acusados pela seleção de temas considerados insultuosos e criticados pelo uso de cores vivas e falta de preparação das composições.

Características da Arte Realista

  • Objetividade

  • Rejeição a temas metafísicos  (como mitologia e religiosidade); Na arte realista predominam temas do quotidiano.

  • Reprodução, desapaixonada e neutra;

  • Representação da realidade "crua": as coisas como elas são;

  • Realidade imediata e não imaginada;

  • Politização

  • Caráter de denúncia das desigualdades

  A pintura é uma arte essencialmente concreta e só pode consistir na representação das coisas reais e existentes. É uma linguagem inteiramente física, cujas palavras são todas inteiramente visíveis. Um objeto abstrato, invisível, não existe, não pertence ao domínio da pintura. O belo está na Natureza e encontra-se na realidade sob formas mais diversas; desde que nela o encontremos, pertence à arte ou, antes, ao artista que sabe vê-lo. 

Gustave Coubert, Lettres à ses Élèves, 1831 (adaptado)

  O Realismo na pintura assume destaque com Gustave Courbet. Este é a figura principal do movimento realista na arte do século XIX. Na verdade, Courbet usou o termo realismo quando exibia suas obras, mesmo tendo evitado rótulos. Em 1850, as três telas do pintor expostas no Salão de 1850, Enterro em Ornans, Os Camponeses em Flagey e Os Quebradores de Pedras, marcaram o compromisso do pintor com o programa realista, pensado como forma de superação das tradições clássica e romântica, assim como dos temas mitológicos e religiosos. Nestas obras, o pintor procura traduzir os costumes e o aspecto da sua época, procurou retratar em suas telas temas da vida quotidiana, principalmente das classes populares. Manifesta sua simpatia particular pelos trabalhadores e pelos homens mais pobres da sociedade no século XIX. Gustave Courbet nasceu a 10 de junho de 1819, morreu a 31 de dezembro de 1887 e foi sepultado no cemitério, representado na sua obra, em 1919. 

Enterro em Ornans

  A obra "Enterro em Ornans", também conhecida como "Um Funeral em Ornans" foi pintada por Gustave Courbet no ano de 1849. É feita em óleo sobre tela, mede 668 cm de largura e 315 cm de altura. Encontra-se actualmente no Musée d'Orsay , em Paris .

  "Enterro em Ornans" é considerada um dos marcos iniciais da pintura realista. Courbet utiliza uma tela de grande formato para retratar um tema trivial, no caso, o enterro de um habitante da cidade de Ornans.

  Hoje em dia captamos acções, momentos, pessoas não só através da visão mas também através dos nossos telemóveis, das câmaras, num instante, mas nem sempre foi assim. Ao observarmos esta obra de Coubert parece-nos uma autêntica fotografia, uma captação de um momento banal. Ele acreditava que a missão dos artistas deveria ser a de registar a realidade do seu tempo, do modo como ela era, e não a de pintar coisas imaginárias.

  Os pintores realistas não foram inovadores no desenho e na cor, mas sim o foram no tocante à composição. O formato panorâmico de "Enterro em Ornans" é realçado pela linha do horizonte e desenhos das falésias. A multidão, um bloco impenetrável, parece achatada, sem perspetiva. Para romper este efeito compacto, rostos e olhares possuem orientações diversas. Mesmo assim, conseguimos observar o uso de cores mais neutras e escuras e algum contraste entre luz e sombra, sobressaído no contraste entre preto e branco que traz uma confirmação de algo sério, chocante e triste.

  Na obra surgem 46 figuras humanas, retratadas em tamanho natural. Gustave Courbet representa três grupos distintos: mulheres, homens e eclesiásticos, separados como se estivessem numa Igreja. O artista privilegia uma abordagem naturalista dos personagens do quadro, sem qualquer esforço em embelezá-los. A pintura retrata a cena com um ar pouco lisonjeiro, e não romantiza as representações de luto, pois os integrantes do realismo desprezam a artificialidade do neoclassicismo e do romantismo. Observamos, na obra, que grande parte dos homens estão moderadamente calmos, enquanto as mulheres parecem transmitir um sentimento de tristeza e, finalmente, os padres e os sujeitos que carregam o caixão, aparentemente estão com uma fisionomia pragmática, demonstrado que estavam acostumados com aquele tipo de situação.

Detalhes

  Os trajes insólitos: próximo do cão, dois homens vestem trajes antigos - polainas, meias longas azuis, chapéu de duas pontas. Estes trajes eram comuns no final do século XVIII, ou seja, pelo menos cinquenta anos antes da realização desta obra. Podem representar, para Gustave Courbet, uma citação a proclamação da Primeira República Francesa, em 1793. Em 1848, um ano antes de "Enterro em Ornans", a Segunda República havia sido proclamada no país.

  A sepultura aberta em primeiro plano é vista em diagonal, como se o observador da pintura estivesse à esquerda da cova. Um crânio pode ser observado próximo do buraco. Segundo a Bíblia, no momento da agonia do Cristo Crucificado, a terra abriu-se, e o crânio de Adão, enterrado há milénios, reapareceu. Este elemento pode também aludir à cena do cemitério em Hamlet, retratada por muitos pintores do movimento romântico.

  Não se sabe concretamente quem está a ser enterrado em Ornans. A hipótese mais conhecida é que Gustave Courbet retrata o enterro de Claude Etienne Teste, seu tio avô, falecido em 1848. Teste foi o primeiro homem a ser enterrado no cemitério novo da cidade de Ornans. Quando indagado sobre a identidade do morto, Gustave Courbet afirmava que "Enterro em Ornans" representava a morte do Romantismo. No início do século XX o neoclassicismo, bem como o romantismo, haviam sido suplantados pela estética modernista.

  • 1-Possivelmente era um sapateiro; 
  • 2-Um proprietário rural; 
  • 3-Um músico (que também é encontrado no trabalho Depois do jantar em Ornans); 
  • 4-Senhorio;
  • 5 e 6-Um músico e um sapateiro;
  • 7-Um viticultor; 
  • 8 e 9-Dois acólitos aparecem;
  • 10- O sacerdote, surge vestido com grande pompa para o funeral;
  • 11-é um produtor de vinho;
  • 12-Um sapateiro humilde;
  • 13-O agente funerário;
  • 14-Um juiz;
  • 15-O Presidente de Ornans Prosper Teste; 
  • 16-Um reformado;
  • 17-A viúva;
  • 18-Um burguês;
  • 19-Um comerciante rico; 
  • 20-Um advogado amigo de Courbet;
  • 21 e 22-Revolucionários;
  • 23-É a mãe do artista;
  • 24, 25 e 26-Três irmãs;
  • 27-Uma sobrinha do artista.

  A exposição, desta pintura e de mais duas, (já demonstradas anteriormente) no Salão de Paris de 1850 a 1851 criou uma "reação explosiva" e trouxe fama instantânea a Courbet. De acordo com a historiadora de arte Sarah Faunce, em Paris, "O funeral" foi julgada como uma obra que se lançou contra a grande tradição da pintura histórica. Pois pintou pessoas comuns em cenas do quotidiano da cidade de Ornans. Além disso, a pintura carece da retórica sentimental que se esperava em uma obra de gênero: os enlutados de Courbet não fazem gestos teatrais de pesar, e seus rostos parecem mais caricaturados do que enobrecidos. Os críticos acusaram Courbet de uma busca deliberada pela feiura.

  Eventualmente, o público ficou mais interessado na nova abordagem realista, e a fantasia luxuosa e decadente do romantismo perdeu popularidade, como já foi mencionado. O artista entendeu bem a importância dessa pintura, Courbet disse: "O funeral em Ornans foi na realidade o enterro do romantismo". Também se poderia dizer que foi o enterro da hierarquia de gêneros que dominava a arte francesa desde o século XVII. 

Aqui segue-se uma imagem mais detalhada e interativa da obra de Courbet:

Realizado por Joana Fernandes nº9
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